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Quase 60% das mulheres deixam de realizar exames preventivos

Quase 60% das mulheres deixam de realizar exames preventivos
No Dia Internacional da Mulher (8 de Março), a Bradesco Saúde alerta para a importância do exame no diagnóstico precoce de inúmeras doenças, em especial o câncer de colo do útero.

Instrumentos de fundamental importância para a detecção precoce de inúmeras doenças, entre elas o câncer de colo do útero, o exame preventivo ginecológico e a mamografia, ainda são ignorados por milhares de mulheres. No Dia Internacional da Mulher (8 de Março), a Bradesco Saúde alerta para o percentual de mulheres que deixam de realizar anualmente exame preventivo ginecológico. No último ano, 58,64% das mulheres não realizaram o exame, que é popularmente chamado de Papanicolau, em 12 meses, de acordo com levant amento do Comitê de Saúde da seguradora. O percentual cai um pouco (43,06%), quando o período avaliado é de 24 meses passados.

Outro dado alarmante é o de mulheres que deixam de fazer a mamografia. No último ano, 51,46% das mulheres acima de 40 anos não realizaram a mamografia em 12 meses, conforme protocolo recomendado pela Sociedade Brasileira de Mastologia. Em 24 meses, o percentual cai para 38,75%. O universo da pesquisa envolve 2,2 milhões de segurados que fazem parte das empresas que possuem o Comitê de Saúde. O câncer de mama é o principal causador de morte na população feminina. De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), cerca de 58 mil casos da doença foram diagnosticados no Brasil em 2016. Ainda segundo o Instituto, mais de 16 mil novos casos do câncer de colo de útero foram descobertos no ano passado no país.

Governo encaminha à ANS proposta de plano de saúde popular

O Ministério da Saúde encaminhou à ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) as propostas do grupo de trabalho formado para criar um novo formato de plano de saúde, com cobertura mais restrita e preços mais baixos.

As sugestões permitem regras mais flexíveis para aumento de mensalidades, restringem o acesso a procedimentos mais caros e ampliam o prazo para que operadores providenciem o atendimento a seus consumidores. A proposta fala de “princípios norteadores” e, em tese, limitam-se à nova categoria a ser criada, batizada de “planos populares”.

Preparada por representantes de empresas de saúde, associações médicas e de seguro, a proposta foi encaminhada pelo Ministério da Saúde à Agência Nacional de Saúde Suplementar em meados de janeiro. Caberá à ANS a palavra final sobre as mudanças.

Segunda opinião para procedimentos caros

No documento de três páginas, o grupo de trabalho lista uma série de princípios gerais. Entre as regras previstas está a obrigatoriedade de uma segunda opinião médica para que o usuário tenha acesso a procedimentos considerados de alta complexidade. O grupo diz que a medida pode evitar desperdícios.

A mudança, porém, vai aumentar o tempo de espera para que o usuário do plano de saúde tenha acesso ao procedimento. Principalmente se combinada com uma outra sugestão do grupo, que afrouxa as regras dos prazos de atendimento.

A sugestão é a de que consultas de especialidades que não sejam pediatria, cirurgia geral, clínica médica, ginecologia e obstetrícia possam ser marcadas em até 30 dias depois da procura do paciente. Atualmente, o prazo é de 14 dias.

O limite para acesso a cirurgias programadas também mais do que dobra. Em vez dos 21 dias da regra atual, operadoras teriam até 45 dias para providenciar um profissional.

Além da maior dificuldade para o acesso, as regras restringem a lista de terapias e métodos de diagnóstico a que o usuário teria direito. Em vez do rol de procedimentos obrigatórios, formulado pela ANS, os usuários de planos de saúde teriam direito a tratamentos e terapias descritos em protocolos idênticos aos adotados no SUS (Sistema Único de Saúde). Para o grupo de trabalho, a restrição garantiria “a segurança do paciente, orientando e uniformizando as condutas durante o atendimento.”

Usuário arque com 50% dos custos

A sugestão prevê ainda que o usuário arque com, pelo menos, 50% do valor do procedimento, seja ele terapia ou exame de diagnóstico. O grupo afirma que, para isso, é preciso haver mudanças nas regras da ANS. A proposta prevê ainda que planos de saúde acessíveis tenham uma lógica de reajuste distinta dos demais planos. Atualmente, planos de saúde individuais são reajustados com base em uma média de preços cobrados nos planos de saúde coletivos. O texto enviado pelo grupo à ANS defende que o reajuste seja feito com base em uma planilha de custo.

Pela proposta, seria obrigatória a criação de uma rede hierarquizada, com acesso inicial à rede por meio de um médico de família ou de atenção primária. Caberia a esse profissional fazer o acompanhamento e os encaminhamentos necessários para profissionais especializados. Haveria ainda planos regionalizados, com cobertura adaptada à disponibilidade de infraestrutura no município.

Pela proposta haveria três tipos de planos: o simplificado, com cobertura específica para atenção primária e serviços de baixa e média complexidade. Usuários que fizerem a adesão a esse tipo de plano não teriam direito a internação, terapias, exames de alta complexidade, atendimento de urgência e emergência.
A segunda modalidade prevista é de plano ambulatorial combinado com plano hospitalar. Nesse formato, usuário teria acesso a atenção primária, especializada, de média e alta complexidade. Antes de ter acesso a um atendimento especializado, no entanto, o paciente teria de passar obrigatoriamente por uma avaliação de um médico de família ou de atenção primária.
O acesso aos serviços especializados, no entanto, seria feito de acordo com a disponibilidade da infraestrutura do município. No plano misto de pagamento, o terceiro formato, o serviço seria feito de uma contraprestação do usuário. O consumidor ficaria responsável pelo pagamento de valores previstos em contrato.

O Ministério da Saúde afirmou, por meio de nota, não defender as medidas. A iniciativa da criação do grupo, no entanto, foi feita pela pasta, logo depois de Ricardo Barros assumir o posto de ministro. Por diversas ocasiões, Barros afirmou ser favorável à ampliação do setor de saúde suplementar. Um fenômeno que, indiretamente, poderia ajudar a reduzir a demanda do Sistema Único de Saúde.

Críticas

O professor da Universidade de São Paulo (USP) , especialista em Saúde Pública, criticou as propostas do grupo de trabalho. “As pessoas serão enganadas novamente, como já ocorre com planos falsos coletivos, os planos baratos que apresentam uma rede insuficiente. Usuários somente vão perceber a armadilha quando adoecerem, no momento em que mais precisarem.”

Para o professor, uma das características do plano é tentar reduzir ao máximo o uso do produto, por meio da coparticipação. “Não tem mágica. Plano de menor preço é igual a pior serviço, rede menor, fila maior e coberturas mais restritas.” Scheffer não descarta o risco de que, se aprovado, o novo formato abra precedente para redução da cobertura de outros contratos e para tornar mais flexíveis as regras de toda a assistência suplementar.

Beneficiárias de planos de saúde estão se cuidando mais

Redução do consumo de cigarro e álcool são exemplos da mudança de comportamento das mulheres na última década.

O número de mulheres da população brasileira é de 104,4 milhões, de acordo com o IBGE. Desse total, 25,6 milhões são beneficiárias de planos de saúde. A maioria está concentrada na região Sudeste, 15,8 milhões. E em todo país, o maior número de beneficiárias tem entre 20 e 50 anos. Família, trabalho, dupla jornada e baixa remuneração fazem parte do universo de muitas mulheres, mas nem por isso elas abrem mão dos cuidados com a própria saúde.

De acordo com o Vigitel Brasil 2015 – estudo realizado pelo Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), as mulheres fumam menos que os homens. Entre os beneficiários de planos de saúde, consultados na pesquisa, 7,2% se declararam fumantes. Proporcionalmente, as mulheres ficaram abaixo da média brasileira, com 5,4%. O que representa uma redução de 52,6% do tabagismo entre as usuárias da saúde suplementar, de 2008 a 2015.

O levantamento revelou ainda que o consumo abusivo de álcool foi registrado entre 16,7% dos entrevistados, sendo maior entre homens (24,3%) do que entre as mulheres (10,7%). O consumo abusivo de bebidas alcoólicas corresponde à ingestão de quatro ou mais doses, para mulheres, ou cinco ou mais doses, para homens, em uma mesma ocasião dentro dos últimos 30 dias. O Vigitel também perguntou aos entrevistados sobre direção e álcool. Em 2015, 6,8% pessoas declararam que dirigem após consumir bebidas alcóolicas. Os homens são mais assíduos: 11,7% dos entrevistados contra apenas 3% das mulheres.

Alimentos saudáveis estão, cada vez mais, fazendo parte do cardápio feminino, segundo o estudo. O Vigitel indica aumento do consumo recomendado de frutas e hortaliças entre os entrevistados que possuem plano de saúde. Em 2015, o levantamento mostrou que 32,9% das pessoas que participaram da pesquisa declararam consumir cinco ou mais porções diárias de frutas e hortaliças, durante cinco ou mais dias da semana. No primeiro Vigitel envolvendo beneficiários de planos de saúde (2008), esse percentual foi de 27%. O crescimento foi verificado em ambos os sexos, sendo 37,3% para as mulheres e 27,2% para os homens. No ano de 2008, esses percentuais representaram 31,5% e 21,5%, respectivamente.

Prevenção – A pesquisa Vigitel 2015 também avaliou a frequência de realização de alguns exames diagnósticos. Para a mulher, um dos principais é o de prevenção de câncer de mama, a mamografia. Esse procedimento deve ser realizado pelo menos uma vez a cada dois anos por mulheres na faixa etária de 50 a 69 anos, conforme recomendação do Ministério da Saúde. De acordo com o Vigitel 2015 sobre a saúde suplementar, 88,3% das beneficiárias de planos de saúde entrevistadas afirmaram ter feito o exame dentro do padrão recomendado. Segundo dados da ANS, em 2015, foram realizadas mais de cinco milhões de mamografias, um aumento de 2% em relação a 2014.

Outra preocupação da beneficiária de plano de saúde é com o exame para detectar o câncer do colo do útero, realizado entre mulheres na faixa etária de 25 a 64 anos. De acordo com a pesquisa, 91,9% das entrevistadas afirmaram ter realizado o exame em algum momento da vida e 87,3% disseram ter feito o procedimento nos últimos três anos. Em 2008, os resultados foram 94,4% e 91,7%, respectivamente.

Em 2015, segundo o Vigitel, entre as mulheres beneficiárias de planos de saúde que fizeram exame de detecção precoce de câncer de colo do útero, na faixa de 25 a 64 anos, os maiores percentuais por capital foram: Boa Vista (94,0%), Porto Alegre (93,4%) e Vitória (91,5%). Os menores foram encontrados em Teresina (75,3%), João Pessoa (76,3%) e Maceió (76,4%). Com relação às internações para tratamento cirúrgico de câncer de colo de útero, os dados da ANS revelam que em 2015 houve queda de 5% na comparação com o ano anterior no número de internações com esta finalidade.

Parto – Em 2015, na saúde suplementar, o número de partos normais aumentou 12% com relação ao ano anterior. Apesar dos planos de saúde ainda apresentarem uma taxa alta de cesáreas, 85%, este aumento demonstra o esforço da Agência e do setor em mudar este cenário.

“Os números demonstram que as mulheres estão mais atentas à prevenção de doenças e que o setor de saúde suplementar está engajado em realizar ações de promoção a hábitos saudáveis. As mulheres sempre foram mais precavidas e isso é positivo, uma vez que, elas são formadoras de opinião junto à família e a sociedade”, declarou Solange Beatriz Palheiro Mendes, presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde).

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